Debate sobre relação entre educação e desigualdade abre IX Seminário de EJA PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qua, 14 de Junho de 2006 12:23

Debate sobre relação entre educação e desigualdade abre IX Seminário de EJA

Qual a relação entre educação e desigualdade? A pergunta abriu o IX Seminário de Educação de Jovens e Adultos da Ação Educativa nesta quarta (12/07), e o indicativo final pode ser provocador para alguns: a educação reafirma a desigualdade social do país, e a inversão deste panorama passa necessariamente pela participação nas esferas decisórias de política econômica.

Márcio Pochmann, doutor em Economia e professor livre-docente do Instituto de Economia da Unicamp, iniciou a palestra de abertura analisando as raízes da desigualdade social brasileira. Para ele, são três as principais. Em primeiro, a ausência de rupturas ao longo da história nacional, cujas transições, do período colonial para a independência e posteriormente para a república, privilegiaram a manutenção da estratificação social.

A outra raiz, para Pochmann, é a falta de tradição democrática. A implantação tardia do voto universal e os intervalos do Estado Novo e do Regime Militar resultam em apenas cinqüenta anos de democracia política, ainda assim prejudicados pela ausência de partidos genuinamente nacionais.

O país fragmentado, aliás, é para ele a terceira causa da desigualdade social. Não há empenho em construir uma agenda nacional, e setores como educação, saúde e previdência acabam disputando a mesma verba. Para Pochmann a superação da desigualdade só pode ser construída a partir da coordenação destas áreas, integradas em uma política mais ampla de valorização do desenvolvimento social da nação.

Sérgio Haddad, doutor em Educação e coordenador da Ação Educativa, prosseguiu trazendo a questão da desigualdade para o campo da educação. Ele lembrou que a universalização do ensino fundamental ainda não foi completada, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Os jovens que ficam de fora são, em sua maioria, os mais pobres.

E se por um lado a educação reflete a desigualdade (as menores médias de anos estudados estão na população negra, agrária e pobre), por outro atua reafirmando-a. A diferença de acesso nas escolas a recursos, como bibliotecas e internet, é aguda entre as regiões Sul/Sudeste e Norte/Nordeste, perpetuando a exclusão. A idéia de investir prioritariamente nas áreas carentes não encontra expressão concreta na realidade educacional brasileira.

As perguntas enviadas, em geral angustiadas, sobre como os educadores devem agir para reverter a desigualdade, não tiveram alento. Para Haddad a resolução desta questão é política, e apesar da profusão de esferas de participação nas áreas de juventude e educação, quando o assunto é política econômica, fundamental para reverter a desigualdade, não há participação.

Para saber a programação completa do seminário, clique aqui.

Disponibilizaremos em breve, nesta página, arquivo com a apresentação completa de Haddad, com números da desigualdade na educação.

Última atualização em Sex, 03 de Agosto de 2007 14:30
 

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